São Paulo & notas cinzentas de amor e saudade

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

ph Cristina Livramento

amores coloridos são mais divertidos

No bar, naquele dia, eu cheguei a pensar em você em vários momentos. Mas o que é o amor depois dos 30? Do lado de fora, enquanto conversava com os rapazes e falávamos de sinuca e xoxotas molhadas e cuecas espanholas com dálias grandes e vermelhas, eu flertei com vários. Com vários atores e músicos, desses meio decadentes que estão espalhados pela cidade de São Paulo. Você sabe do que estou falando. Eles estão em toda parte.
Eu dancei, às três da manhã, no palco dos Parlapatões com o elenco todo da trilogia do Sade. Sonhava orgia como Kubrick, com senhas, códigos e máscaras. Tudo bem, não foi como no filme, mas dançamos nus ao som de muito rock and roll. Coisas loucas acontecem na Praça Roosevelt.
Acendi e fumei vários cigarros. Para elas. Para eles. Beijei lábios rosados. Braços bronzeados. Havia um dorso nu e músculos. No qual eu dancei e voei. E você lá no fundo do bar. Olhando. Calça preta, coturno e camisa xadrez. Tem umas coisas nessa vida que não dá pra explicar. O amor não acontece só uma vez.
Me dá sua mão e vamos de novo pra Cidreira ainda no inverno. Vamos andar nus a cavalo por Nova Petrópolis ou pelo interior do Centro-Oeste, pelas fazendas onde o sol desce laranja-avermelhado no horizonte. Vem fazer amor comigo na areia da praia, nas pedras da cachoeira, na grama molhada da manhã. No alto da oficina, onde você faz facas, sob a lua prateada, sobre nossa manta azulada. O resto é só brincadeira de gente grande.
Tudo é triste de repente e eu quero ir. Ir embora pra nunca mais voltar e ter que olhar nos olhos e ver tanta hipocrisia. Não quero morar em outro planeta, nem fama ou dinheiro. Um pouco de poesia pra amar a menina. Um pouco de ternura pra correr pela estrada. Um pouco de vento forte pra fazer literatura. Mas só tem essa dor. Um peso sobre o ventre. A memória do fracasso. Não cabe mais tanta mentira no bolso do meu jeans.
Outro dia caminhei por uma calçada com muitas folhas secas sobre o chão. Era quase uma melodia. De despedida. Pudera transformar-me em folha e fazer aquele barulho seco sob os pés de alguém. Da menina que ainda é criança. De alguém que ainda tem a ingenuidade na ponta dos cabelos. É bom ser criança. Olha lá, é quase manhã. Tem uma neblina que cobre toda a cidade. Não há mais metrô Vila Madalena. Quisera fosse o fim. Pra nunca mais pensar. Pra nunca mais doer. Pra nunca mais fracasso.
O amor, o amor eu deixei ali fechado numa caixa de papelão. Só levo uma lente fotográfica pra registrar novas memórias e desapegos. Me dá a chave do seu carro. Quero dar umas voltas pelo centro velho de São Paulo. Eu te vi de novo naquela noite. O mesmo sorriso, as mesmas paredes, mas tudo diferente. Seria verdade se não fosse tudo mentira. Eu fiz dessa história um romance. Você nunca vai entender a que ponto cheguei e todas as coisas boas que você me fez sentir. Tenho saudade do que já foi. Uma frase que foi sua e que agora é minha.
Fico sentada no banco da rua e pensando. Morri. Uma parte em mim não existe mais. Prazer, senhora desconhecida. Você tem pernas grossas e lábios carnudos. Dança essa canção pra mim e tira a roupa bem devagar. Fique perto daquele precipício. Não temos lobos. Não temos demônios. Não temos ninfas. É só você e eu. Esse corpo descontrolado a procura de sexo e anfetaminas. Agora é só mais um passo e cair. Suavemente. Lá embaixo te diremos adeus. E colocaremos seu longo cabelo cacheado sobre os arranhões da face. Mas não haverá canhões nem totem. Talvez um bilhete de adeus. “Saudade. A gente se vê.”

Camaleoa

quinta-feira, 29 de julho de 2010

ph Cristina Livramento

Tom, o cuteleiro

Para falar de beijos

quarta-feira, 28 de julho de 2010

sábado, 24 de julho de 2010


ph Cristina Livramento

Cidreira, Porto Alegre (RS)
Prazer, Coringa


Você dirigia enquanto eu colocava a cabeça pra fora da janela e sentia, de olhos fechados, o vento frio no rosto. O vento frio do inverno no Rio Grande do Sul. Você disse que me levaria para a serra e que teríamos arco-e-flecha e armas e caças e facas de damasco. Eu dancei nua pra você naquela noite. Naquela noite em que dormimos numa pousada em Nova Petrópolis. E vi o Coringa. Chorei, eu sei que chorei quando te olhei e você disse com voz rouca, tudo bem, vai ficar tudo bem. Não, não vai ficar tudo bem porque você é o Coringa e tem esse jeito de me olhar e esse sorriso malicioso. Eu sei, eu sei porque você me trouxe aqui, você me trouxe aqui pra debochar de mim.
O gato na parede, meia-calça preta no chão gelado, a lareira azul e folk no rádio. Na primeira vez, na tua cama, árvores, janela aberta e a lua. Vi vampiros na estrada perto de Cidreira. Nos meus sapatos vermelhos ainda há a lembrança do Bom Fim. E tinha aquele pescador solitário bem ao longe na praia. Eu fiz fotografia. Mas eu sei que um dia tudo vai acabar.
Sozinha, em São Paulo, olho para o teto branco. Não valho nada. Não sei mais andar de mãos dadas. Não sei mais dizer eu te amo. Sou agora meus sapatos vermelhos, meu jeans surrado e meus livros velhos. Posso beber com você, fumar com você, trepar com você, mas sou apenas uma garota sem esperanças. Não diga que vem me ver de novo. Porque eu vou rodar por aí a pé da Heitor Penteado até o Baixo Augusta. Vou rir e beber entre os atores todos da Praça Roosevelt. E esquecer. Não precisa me convencer de nada.
Não posso mais te dar um filho. Estou velha. As coisas nunca são como antes. Há o cansaço, novas reclamações e manias. A de nunca mais querer é uma delas. Gosto de abraçar minhas próprias pernas. Dá uma sensação de conforto e abrigo. Porque essa sensação eu conheço e não oferece nenhum risco. Risco de perder de novo.
Quando subir a serra mais uma vez, aumente o volume do rádio. Bauhaus há de tocar as estrelas e abrir a neblina. Segunda-feira vou até o Martinelli fotografar. Paisagem. Me convença, Coringa. Me convença de que você é mais forte. Me convença de que você sabe mesmo rir. Quero ver você rir da própria desgraça. Eu vou dançar sobre seu peito e seus braços tatuados até você chorar pela última vez. E se arrepender. Eu danço com a morte, eu tenho olhos da noite. Você é só um homem que insiste em acreditar. Estamos todos mortos descendo a mesma serra rumo ao inferno. Quando chegarmos lá no fim, aquele beijo será apenas um retrato esquecido no fundo da gaveta. Desbotado.

Camaleoa

quinta-feira, 8 de julho de 2010

ph Cristina Livramento

FalsosPilaresdeArtacho 


Você caminha por São Paulo e pensa esse é um tipo de lugar onde tudo é possível. Por falar nisso, você já não é mais um anônimo. Afinal, você agora conhece o pessoal de teatro, circula entre fotógrafos e artistas plásticos. Até a imprensa – a grande imprensa – te procura porque você é referência no meio. Você é artista. Você caminha pelas ruas de São Paulo e enche o peito de ar poluído e acredita que nada pode ser melhor do que estar nessa cidade de gente bonita, bem transada, uma gente cool e de intelecto avançado. Gente que faz e não tem medo de ser feliz, faz o que gosta. Tá certo, igual a você tem aos montes. Tudo bem, você ainda não é convidado pra participar de lançamentos, premieres e exposições mais badaladas de São Paulo, mas isso é só uma questão de tempo. Você sabe disso. É tudo uma questão de tempo.
Logo estará sentada na primeira fileira do São Paulo Fashion Week, rindo muito, entre Alexandre Herchcovitch e Betty Lago. Vocês se conhecem, vocês se curtem, se admiram e agora participam das mesmas festas. Você é tão desejada nesses lugares bacanas quanto eles. E quando esse dia chegar, você estará na coluna da Mônica Bergamo ou da Sônia Racy. Aí, sim, querida, você será o máximo.
Mas isso não importa. O que importa é que você é o máximo agora, nesse exato instante, neste momento em que você não é nenhuma estrela, sua conta no banco tá zerada, nos últimos 15 dias tem comido miojo pra economizar a miséria que ainda te resta e sobrar o necessário pra pagar a inscrição de mais um projeto cultural. O resto é entregar pra Deus pra que não fique sem teto e sem o brilho. Tem que brilhar mesmo na merda.
Aqui não tem espaço pra fracassados. Sem chance nenhuma pra reclamações de qualquer espécie. Problemas não existem, meu amor. Sorria, tenha atitude na postura, no jeito de andar, de falar e de se vestir. O resto a metafísica dá um jeito e te apruma. E pensar que agora você tem casos amorosos com atores. Ontem você os via na Caras, agora você os come, na cama. Grande salto. Diria que você já é uma vencedora. Não é hora mesmo pra desanimar. Desistir, jamais! Nada de chorar pelos cantos e achar que a vida é cruel contigo. Não é.
Tudo uma grande besteira. Quanta conversa fiada. Você não é nada nessa cidade louca e violenta. São Paulo é uma grande ilusão. Uma ilusão quente e cheia de luzes coloridas e lábios vermelhos carnudos. Convidativa, mas cheira de longe a cocaína. Pronta pra te matar. Você está agonizando de novo, confessa. É claro que é difícil reconhecer que está perdendo. Não é fácil pra ninguém, mas a verdade é que você está perdendo o jogo pra quem realmente gosta de jogar. São Paulo é lugar pra profissional e você, ah, você. Você é só mais uma amadora.
A parte mais difícil é cortar o vínculo com essa cidade que te mutila todo dia um pouco. Que te faz chorar com a poesia – essa relação de amor e ódio – que se vê colada, pichada em cada esquina. São os edifícios do Artacho Jurado em Higienópolis, o grafite e os stickers pela Vila Madalena, Pinheiros, Augusta e Consolação. As histórias de fome-amor-ódio-dor e aplauso dos atores. As risadas absolutas dos companheiros de bebedeiras da Praça Roosevelt, os incontáveis e surpreendentes (des)encontros que a cidade proporciona. A real afinidade que une pessoas tão diferentes, mas tão iguais. A mesma solidão, a mesma angústia, o mesmo sonho, a mesma inquietação, a mesma paixão.
E que seja a cidade de São Paulo uma puta bem vestida ou um engravatado escroto vendendo a mãe em plena Paulista. A São Paulo que eu conheço não é essa. A São Paulo que eu conheço é da conversa lado a lado, andando a pé pelas ruas em Pinheiros. O sanduíche, depois da peça nos Parlapatões, na Praça da República. É o telefonema, tarde da noite, pra um papo cheio de riso e emoção no Balcão, nos Jardins. Somos uma grande família. Tomamos café um pouco mais do que os outros, mas fazemos almoço em casa para os amigos e sabemos o quão frágil são os nossos dias. Vivemos desesperadamente a procura do amor absoluto. Celebramos.
E quando volto, à noite, pra casa tem a sua voz no telefone. Ainda tem seu cheiro aqui.

Camaleoa

terça-feira, 15 de junho de 2010

na última noite eram lobos
você deitado sobre o lençol azul
conversas sobre discos
conversas sobre livros

na última noite eram fogos de artifício
você nu pela manhã e uma xícara de café
silêncio sobre o ontem
silêncio sobre o amanhã

na última noite eram motores envenenados
você brincando de ser ator
te espero do lado de fora
enquanto o sol se põe dentro de mim

Camaleoa

terça-feira, 8 de junho de 2010


auto-retrato
te amo no on the road, baby

se eu disser que te amo é mentira, não posso dizer, não posso te dizer nada disso, nada parecido com isso porque eu não sou quem eu penso que sou, sou outra, sou duas, sou três e outras tantas que nem sei quem são. isso não quer dizer que eu tenha dupla personalidade nem que seja esquizofrênica, a verdade é que eu tive que me adaptar ao Pantanal, nunca mais Ópera de Arame, as praias com as areias brancas de Santa Catarina, sequer os morros e as asas-deltas do Rio de Janeiro. estou sempre em curso, como um rio.
você me olha e diz que ri sempre do perigo, o que conforta meu coração de beatnik, mas ao mesmo tempo faz com que me sinta uma puta maldita que te olha com alguma superioridade e te norteia em ser mais meu hoje do que você foi ontem. isso é maldade? saber que tudo isso que você diz é só e sempre só pra mim? talvez. mas eu sou uma puta maldita que faz poesia com concreto e fotografias.
mas isso não faz nenhuma diferença.
então eu coloco aquela garota pra cantar mais uma vez enquanto saio para mais uma noite de cerveja e tequilas por Pinheiros e é como se eu pudesse ouvi-lo respirar bem ao meu lado. toda aquela conversa sobre road trip, Maverick e alguns pares de Ray-Ban não ecoam como um grande delírio coletivo. eu preciso te confessar, é uma boa realidade da qual podemos compartilhar e sorrir sorrisos de crianças arteiras - porque é o que de fato nós somos - e em algum lugar desse Brasil poderemos pular pelados do alto de uma pedra numa bela cachoeira. haveria nossas bocas, nossas roupas jogadas em alguma árvore. o que daria uma bela cena. uma cena de cinema.
senta aqui, Woody Allen, vamos fazer um filme.
posso ouvir o rádio do nosso carro tocando alto alguma música, Pomplamoose, aquela voz doce, um violão suave de fundo, teclados de piano, um acordeom, as portas do Maverick abertas, maços de cigarro vazios pelo chão, algumas mochilas no banco de trás, caixas de chocolate, algumas garrafas de vodka ainda cheias, poemas anotados e colados nos bancos, no teto do carro, no porta-luvas, poemas de nós três e outras noites mal-dormidas em hotéis baratos.
é noite, estamos na estrada deserta e eu posso senti-la dormir belamente no banco de trás.
pode ser que eu te devore logo e esse sonho acabe bem antes de conseguirmos chegar perto de realizar essa viagem de vinho, de línguas e de luas. isso tudo me parece bem real. sim, querido, um dia estaremos todos mortos. não acredito mais em explicações cartesianas, nem em teorias psicanalíticas porque tudo sempre dá gastos imbecis com contas, remédios, discussões inúteis sobre o que achamos - nossas medíocres opiniões. quem quer saber o que achamos, me diga, nunca resolveremos a estupidez da humanidade que mata baleias, assassina índios e estupra crianças.
você viu a vista da minha janela?
de qualquer maneira, quero deixar claro aqui que te amo, sim, amo tuas rugas e teu bom dia quando me abraça e beija minha nuca. poderíamos ser qualquer coisa, café da manhã na padaria, compras de supermercado para um almoço colorido e saudável no horário certo e sempre uma boa trilha para garfos e facas, rede na varanda para começo de noite e você lendo Bukowski e nós falando de tiros, numa tentativa infantil em parecermos um pouco William Burroughs.
você sabe do que eu tô falando, não sabe? eu sei que sim.

Camaleoa

segunda-feira, 7 de junho de 2010

(im)pertinências SP
http://camaleoa.tumblr.com/
era noite e tinha você
em algum lugar
era noite e tinha uma imagem
carros pelas ruas e outras janelas
te vejo de um edifício
era noite e tinha uma estação de metrô
pessoas apressadas e cuspes na calçada
coisa desagradável
era noite e eu tinha uma vista
era uma sacada
agora sétimo andar
Vila Madalena
te chamo Alto de Pinheiros
alguém há de parar essa avenida
era noite e eu cantava
só pra te lembrar um pouquinho
era noite
era uma vez, Speed Racer
cavalos apressados sob a lua cheia
era julho

Camaleoa
ph Camaleoa

Estação Tiradentes - São Paulo (SP)

terça-feira, 25 de maio de 2010

ph Camaleoa

Ao longe, Estação Vila Madalena, São Paulo (SP)
Louças brancas para um adeus


Eu não sei nada sobre Aristóteles, nem li todos os livros do Oswald de Andrade, mas quanta bobagem sobre a mesa, eu penso, enquanto abro mais uma garrafa de vinho e desejo que tudo isso acabe logo de uma vez. As louças brancas ficam, as estantes ficam, os quadros entrego para os amigos e as fotografias seguem destinos incertos. Eu no carro pela estrada.
Abro a sacada à noite e vejo o céu de São Paulo numa espécie de contagem regressiva. Nunca mais essa perspectiva. Tem céu nublado, aquela coisa cinzenta de sempre que me pega pelo jeans surrado e me faz querer sair andando sem direção pelo Baixo Augusta. Até que seja a Roosevelt mais uma vez.
Das histórias todas, o que me apavora é essa vontade de subir a montanha, aquela, mais uma entre todas as outras que ficaram pra trás e ver a paisagem lá de cima. Sob uma nova perspectiva. Eu te falei que sonhei com você de novo? A hora passa e você nunca está por perto e o que eu posso dizer? O que é que eu posso fazer?
A música toca alta, à noite, na Oscar Freire. Os caras estão de novo no estúdio ensaiando Music 4U2B. Acho que vou lá fazer fotografia. Não que você se importe, eu sei. É eu sei. Assim como eu sei o jeito que você me olha. Não, você não me engana. E de manhã eu vou voltar pra casa sabendo que talvez seja a última vez. Sempre pode ser. Não me interessa, não me interessa as coisas que você não me diz e vamos deixar que o blues toque a noite toda até que a próxima frente fria tome conta da cidade mais uma vez.
Quanto a você, a nossa história chegou ao fim. Você não vai comigo atravessar a faixa de pedestre, você não vai dançar comigo a música que nunca dançamos, você não vai me levar de novo ao cinema, você não vai deitar comigo na minha cama nova. Porque tudo já chegou ao fim já há algum tempo. Tudo bem eu te levar nos álbuns de retrato, tudo bem eu te ler em dias de chuva forte, tudo bem eu reler os e-mails que trocamos em dias de verão do Centro-Oeste ao Sudeste. Você sempre soube que eu te amei. Agora não mais. Agora é só uma boa lembrança de uma boa história pra contar para os netos. Netos que nunca serão nossos.
Não me diga que tudo vai ficar bem porque eu sou um tipo de garota que gosta de botas velhas e sujas de lama. Vou ligar o carro, baixar os vidros e tomar a direção em que o vento é mais forte. Talvez a gente se encontre por aí. Talvez não. Não precisa se despedir. Eu detesto despedidas. Não precisa dizer que vai ligar. Eu não tenho mais celular. Não precisa perder tempo com cartas e e-mails. Eu não tenho endereço certo. E tem sempre aquela garota com uma orquestra de samurais a me esperar. É bem certo que eu não volte. Quem sabe?


Camaleoa

terça-feira, 18 de maio de 2010